3 de dezembro de 2022
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A repulsa ao PT empurrou o empresariado para uma armadilha. Eles realmente acreditaram que o antielitismo de Bolsonaro era só um discurso eleitoral e demoraram meses para aprender que há novas regras no jogo. Para surpresa de muitos, o presidente não se importa com a opinião dos grandes empresários, aliás, até prefere ignorá-los. Assim como muitos colunistas de jornal e TV que eram interlocutores frequentes de vários presidentes. Os Bolsonaros recusam apoio, escolhem aqueles que consideram dignos de sua parceria e não tem compromisso com o sempre-foi-desse-jeito.

Na semana passada, Bolsonaro retirou a Folha de S. Paulo de uma licitação de assinaturas digitais e, pela segunda vez, pediu o boicote dos anunciantes ao jornal. Ele já havia feito ameaças similares ao Grupo Globo. São fatos que nunca passariam sem críticas sob um governo petista. Ganha um doce quem apontar um único empresário que levantou a voz contra o presidente ou contra Guedes ao insinuar um novo AI-5.

Bolsonaro pode fazer isso e, provavelmente, muito mais porque tem Paulo Guedes no Ministério da Economia. Guedes é o suprassumo de duas décadas de editorais e artigos de jornal defendendo um Estado menor e, do seu jeito peculiar, ele está entregando. As propostas de reformas pós-previdência enviadas ao Congresso são mal construídas politicamente, mas na letra fria representam tudo o que empresariado sempre sonhou. O Ibovespa deve fechar o ano acima dos 110 mil pontos, a inflação e os juros estão em baixas históricas.

Enquanto Bolsonaro mantiver Guedes, Bolsonaro é um homem acima das críticas da elite.

Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena

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