3 de dezembro de 2022
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No dia 9 de outubro, o governador Wilson Witzel contou ao presidente Jair Bolsonaro que ele estava citado no inquérito sobre a execução da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Entre os acusados formalmente pelas mortes estão os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. Lessa mora no mesmo condomínio na Barra da Tijuca onde Jair Bolsonaro e seu filho Carlos tem casa. Witzel contou que o porteiro do condomínio havia dito e repetido em depoimento oficial que um dos suspeitos, Élcio de Queiroz, havia dito que iria à casa do então deputado Bolsonaro. Segundo o inquérito, o porteiro anotou que a autorização para a entrada do suspeito havia sido do próprio Bolsonaro.

O presidente informou o seu advogado Frederick Wassef, que também cuida da defesa de Flavio Bolsonaro no notório inquérito das rachadinhas. Wassef e o vereador Carlos Bolsonaro conseguiram cópias dos arquivos de entrada e saída do condomínio. Viram que Élcio de Queiroz foi parado por dois porteiros. Um falou com o suspeito na cabine de entrada. O outro na cancela. O segundo porteiro ligou para quem seria visitado, Ronnie Lessa. Carlos obteve cópia da gravação dessa segunda autorização. Eles se preparam para dar o bote na Globo.

No dia 25 de outubro um advogado do Rio ofereceu cópias do inquérito com a citação a Bolsonaro a jornalistas da TV Globo e Veja. A Globo levou o caso ao ar no dia 29, com gravação de entrevista de Frederick Wassef em nome de Bolsonaro. O advogado não disse à Globo que o edifício tinha dois porteiros e que ele tinha gravação contradizendo a informação do telejornal.

Depois de o Jornal Nacional ir ao ar, o procurador geral da República, Augusto Aras, anunciou que havia arquivado o caso no Supremo – o que de fato ele só fez depois do material ser divulgado pela Globo. Os procuradores do Rio que haviam ignorado as planilhas dos porteiros do condomínio fizeram uma perícia às pressas para concluir que a citação a Jair Bolsonaro era uma fraude. Carlos exibiu a gravação do segundo porteiro desmentindo o JN.

Na semana passada, a Polícia Federal anunciou o indiciamento do porteiro que citara Bolsonaro, a procuradoria geral da República apressou o pedido de federalização do inquérito para tirar as investigações da Polícia Civil do Rio e a revista Veja publicou fotos do porteiro e de sua casa em Gardênia Azul, na baixada de Jacarepaguá, região dominada pela milícia carioca.

A possibilidade de todo o processo dar em nada é crescente.

Foto: Reprodução TV Globo

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