3 de dezembro de 2022
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O Chile está um caos. A Bolívia sofreu um golpe. A Argentina, bem, a Argentina é uma montanha-russa de emoções. Na semana passada, o governador de São Paulo, João Doria, decidiu adiar para 2020 o possível reajuste da tarifa do metrô, hoje em R$ 4,10. Em 2013, foi o aumento nas tarifas de ônibus, metrô e trens metropolitanos que serviram de faísca para os protestos que ficaram conhecidos como as Marchas de Junho. Na quinta-feira, 14, o dólar bateu R$ 4,20 sob o temor de que o Brasil possa ser o próximo da lista. 

Mas de onde podem vir as faíscas para novos grandes protestos populares no Brasil?

Vamos analisar as possibilidades: 

1. Depois dos equívocos em série de 2013, todos os aumentos de transporte passaram a ser concedidos em janeiro, antes do início do ano letivo, para evitar a mobilização dos grupos estudantis. Tanto a Prefeitura de São Paulo como a do Rio têm indicativos de aumentos nas tarifas no início do ano em torno de 5%.

2. A segunda hipótese são os caminhoneiros, o único movimento social organizado o suficiente para causar convulsão no Brasil. Ligados umbilicalmente ao bolsonarismo, os caminheiros geraram caos nas cidades e afundaram a economia em 2018. Em julho deste ano, eles ameaçaram nova greve e recuaram diante da promessa de Bolsonaro de aprovar uma nova tabela de frete – o que não foi cumprido. Um aumento mal calculado no preço do diesel, por exemplo, pode ser uma faísca de novas paralisações.

3. A terceira hipótese, favorita do bolsonarismo, seria a de conflitos em função de comícios do ex-presidente Lula. Nesse cenário, atividades do PT terminariam em confrontos com bolsonaristas que desencadeariam caos social sobre o qual seria necessária intervenção militar. A hipótese desconhece a fragilidade atual do PT e a falta de mobilização dos dois lados nos últimos protestos.

4. Por fim, poderia haver uma reação popular contra o julgamento do STF sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro na condução dos processos contra o ex-presidente Lula. Como comprovaram os diálogos vazados pelo The Intercept, Moro agiu como coordenador dos procuradores da Lava Jato, o que os ministros do STF poderiam até desculpar não fossem as repetidos subterfúgios dos procuradores para manipular decisões da Corte. As reações populares aos julgamentos do STF são imprevisíveis, mas a reação tranquila à soltura de Lula indica que a sociedade tem mais o que fazer.

Foto: Marcelo Regua/Agência O Globo

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