25 de outubro de 2020
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Um aforismo atribuído a Albert Einstein (e que ele nunca disse) define loucura como repetir a mesma atitude e esperar resultados diferentes. É o que establishment político imagina que a oposição fará.

No primeiro turno de 2014, o PT investiu mais de R$ 100 milhões em publicidade para destruir a candidatura de Marina Silva. Todas as pesquisas mostravam que se chegasse ao segundo turno, Marina seria eleita com alguma facilidade. O marqueteiro João Santana acreditava que o mais fácil seria ajudar Aécio Neves a chegar ao segundo turno e apostar tudo na polarização. Deu certo, mas com dificuldades.

No primeiro turno de 2018, o PT ficou hipnotizado pela prisão de Lula e só nas semanas finais apresentou seu candidato Fernando Haddad. Havia uma crença quase religiosa no partido que uma vez no segundo turno contra Jair Bolsonaro, a vitória era assegurada. Deu muito errado.

Quarenta dias depois de ser solto, Lula mantem um discurso de polarização com Bolsonaro e nenhuma preparação para um substituto, como se fosse novamente repetir o fracasso de 2018. Embora o PT tenha dificuldades em reconhecer seus erros, é difícil imaginar que haverá uma estupidez tão grande quanto a da última eleição.

Luciano Huck

O mesmo vale para Luciano Huck. Em março, de 2018, o apresentador teria condições reais de chegar ao segundo turno – especialmente sem Lula na disputa. Não se arriscou, mas nada indica que deixará novamente a sua decisão para o último minuto.

O PSDB trouxe em 2018 um candidato paulista que chegou a perder no seu próprio Estado. É verdade que, mais uma vez, o candidato tucano deve ser um paulista, mas é altamente improvável que partidos profissionais como o Democratas, Progressistas e Republicanos embarquem novamente em uma candidatura do PSDB se ela estiver destinada ao fracasso (como hoje parece estar).

Campanhas presidenciais são maratonas. Jair Bolsonaro começou em 2015 a fazer suas lives no Facebook e viagens para cidades médias, com o discurso da moralidade nos costumes, ênfase na segurança pública e antipetismo radical. Doria que é um desconhecido a partir do Vale do Paraíba precisaria iniciar logo o seu roteiro. Já Huck, conhecido por 90% dos brasileiros, pode demorar mais tempo e investir na estrutura da campanha. O PT, por sua vez, precisa decidir se quer ser o partido de 2018 ou de 2002.

Foto: Partido dos Trabalhadores

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