12 de junho de 2024
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Pressionado pelas investigações da Polícia Federal sobre as fraudes disseminadas nas candidaturas femininas do PSL, o presidente Jair Bolsonaro fez o que faz de melhor, criou uma confusão para mudar o foco da discussão. A sua briga pública com o presidente do PSL, Luciano Bivar, tem como pano de fundo (1) afastá-lo de qualquer responsabilidade sobre os resultados das investigações e (2) aproximá-lo do controle sobre os Fundos Partidário e Eleitoral do PSL, uma fortuna de mais de R$ 800 milhões até 2022. Só que é impossível ter as duas coisas.

A legislação eleitoral atual pune com a perda de mandato os deputados federais e estaduais que trocarem de partido (senadores, governadores, prefeitos e o presidente não são punidos). A exceção seria para a formação de um novo partido e, por isso, os bolsonaristas anunciariam a ideia de criar uma legenda com o nome de Conservadores a partir da fusão de um bando de nanicos. Só que o dinheiro dos fundos públicos (R$350 milhões só no ano que vem, mais de R$ 800 milhões em quatro anos) ficaria para trás. Para Bolsonaro, que tem a máquina federal nas mãos, isso tem importância relativa. Para os deputados é questão de vida ou morte.

Base fragilizada

Portanto, essa briga deve ser relativizada. Bolsonaro só precisa se filiar a um partido em outubro de 2021, assim como os deputados. Até lá, podem seguir fustigando o dirigente Luciano Bivar e tentando retirar parte do seu poder (e o controle do dinheiro partidário).

Então por que essa querela importa? Porque torna ainda mais tumultuada a base parlamentar de Bolsonaro na Câmara (no Senado a alteração é nula). Este governo já tem a base mais fragilizada desde Collor, mas conseguiu nessa semana piorar. Ao separar os 53 deputados do PSL entre bolsonaristas de raiz e os demais, deixou que dez a quinze votos passem a ser considerados incertos. Pesquisa da XP com alguns dos melhores analistas políticos (incluindo este Report) estima que Bolsonaro tinha garantidos apenas 103 dos 513 deputados – um número baixíssimo (até Dilma Rousseff no pior momento tinha mais). Com o imbróglio do PSL, esse índice ficou ainda menor.

Foto: Jorge William / Agência O Globo


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