3 de dezembro de 2022
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A palavra “euforia” foi utilizada pela primeira vez em 1875 para referir ao estado de satisfação experimentado pelos viciados em morfina. É essa sensação sem base na realidade que ocupa a turma da B3. O Ibovespa passou de 111 mil pontos e deve passar dos 115 mil às vésperas do Natal. O crescimento de meros 0,6% nos meses de julho, agosto e setembro (claramente influenciados pela liberação do FGTS) foram tomados como provas de fé de um crescimento sustentável e vigoroso.

Esse contentamento transcendente fez com que o competente ministro Tarcísio Freitas pudesse sair aplaudido depois de prometer um pacote de concessões de 5 mil quilômetros de estradas e 44 leilões de privatização em 2020. “O Brasil é a bola da vez dos investidores internacionais. O Brasil está igual música de Roberto Carlos, ‘daqui pra frente tudo vai ser diferente’”. Lorota.

Promessas

Na dura vida real, este governo é menos privatista que o de Temer, que havia colocado Eletrobras e os aeroportos de Congonhas e Santos Dummont na lista. Até agora, aliás, o melhor que a equipe econômica fez foi manter o mesmo rumo das gestões Meirelles/Guardia.

O problema é tático. No início do ano, o ministro Paulo Guedes já prometeu que ia ter déficit zero. E o déficit foi de R$ 90 bilhões. Ele prometeu R$ 1 trilhão de reais na venda de imóveis. Não vendeu nada. Ele prometeu R$ 1 trilhão em privatizações e mal e mal conseguiu R$ 400 bilhões. Na sexta-feira, dia 6, falou em “trilhões de dólares” em investimentos em projetos de saneamento como o novo marco do setor ainda em debate no Congresso.

É altamente provável que o Brasil cresça em 2020 mais do que em 2019. É até provável que ultrapasse os 2% pela primeira vez desde 2013, mas não será um indicador exuberante. Será um crescimento com base na capacidade ociosa, sem geração de emprego. O Estado está falido. O investidor estrangeiro tende a evitar um governo que gosta tanto de brigar. Como disse o ex-presidente do BC, Ilan Goldfajn, “a festa vai ser boa, mas a festa é só nossa”.

O Brasil já teve um ministro que considerava que entre as atribuições do cargo estava a de “animar a plateia”. O nome dele era Guido Mantega. Não é um bom exemplo.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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